quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Dia 30 de Julho de 2010

Milão - Como - Milão

Depois de termos descoberto no dia anterior que havia metro perto do hostel, decidimos ir assim até à estação na Porta Garibaldi para irmos de lá para Como. Acordámos às 7h50 e às 8h30 estávamos a sair do hostel. Era suposto termos pago os quartos nessa manhã, mas não estava ninguém na recepção... (Não era suposto estar sempre lá alguém?) Chegámos ao metro e percebemos que aquilo afinal não tinha muito de metro... Era uma 2ª linha subterrânea que tinha vários comboios com direcções diferentes. Depois de perceber o funcionamento daquilo, chegámos à linha e ficámos à espera do "metro". Era um comboio/metro com 2 andare
s. Chegámos à Porta Garibaldi e demos logo com a estação, mas ainda não estava lá o comboio nem indicada a linha em que o comboio ia partir. Ficámos à espera e depois apanhámos o comboio que ia quase vazio. Depois de nos apercebermos que estávamos na última carruagem onde as portas abriam fora da plataforma e de abraços na carruagem entre mim e a Alexandra que quase acabavam connosco a rebolar no comboio, chegámos a Como.
Pensava que a estação de San Giovani, onde chegámos, era mais longe do centro, mas afinal foram só un 5/10 minutos a pé e chegámos ao Templo de Volta. Demos uma volta por aquela zona e depois fomos para a parte onde estavam os barcos que faziam passeios pelo Lago di Como. Ao ir para a zona dos barcos, passámos por uma banquinha que tinha uma espécie de gaivotas em forma de carro para alugar. Claro que depois de comparado com o preço do passeio de barco nos ficámos pela gaivota que era mesmo uma "parvoíce" ao nosso estilo. Durante meia hora, o Gordo pedalou, a Alexandra pedalou e conduziu e eu fiquei no banco de trás a tirar fotos. Cada vez que passava um barco havia ondas e ficávamos a ver se a gaivota não se virava, e ainda tivemos que fugir do barco de recolha do lixo do lago.
Depois do passeio no lago fomos até ao Duomo di Como e sentámo-nos à sombra a almoçar e a ver os pombos devorar os bocados de salsicha que caíram do meu pão. Tirámos fotos ao Duomo e fomos para o funicular que ia até Brunate para ver a vista, mas como o nosso passe de transportes de Milão não funcionava ali decidimos não subir e voltámos para Milão.
Chegados à Porta Garibaldi aproveitámos para visitar o Cimitero Monumentale que era mesmo ali ao pé. Não encontrámos a campa de ninguém famoso (o Isaac Newton deve ter fugido...), mas o cemitério era enorme e cheio de esculturas e jazigos enormes.
Voltámos para o hostel porque de manhã tínhamos deixado um papel a dizer que voltávamos à tarde para pagar os quartos, mas... Surpresa! Não estava lá ninguém. A única pessoa lá era o rapaz argentino que estava no quarto connosco, a dormir.
Pousámos as coisas e descansámos um bocadinho e entretanto chegou um homem que perguntou se éramos nós que íamos pagar.
Depois de pagarmos, perguntámos se podíamos usar a Internet e ele disse que sim, quando ele voltasse do supermercado, mas depois de perguntarmos se ele ia demorar muito e dizer que ficávamos à espera ele deu-nos a chave da "recepção" e disse para depois de usarmos pormos numa gaveta na entrada. Marcámos (ou tentámos) o hostel na Hungria e mandámos e-mail a toda a gente. Entretanto, nesse espaço de tempo ficámos nós a "tomar conta" do hostel porque o argentino saiu e estávamos sozinhos com a chave da recepção :P
Saímos para jantar uma "comida típica" e acabámos numa pizzaria que vendia pizza à fatia. Como achámos uma fatia pouco pedimos uma fatia grande, mas acabámos por trazer cada um metade da pizza para casa.
Voltámos de metro até ao hostel e pelo caminho desde o metro até ao hostel fomos procurando multibancos para eu levantar dinheiro. Quando encontrámos um, pus o cartão e depois apareceu no ecran uma frase a dizer para esperar... Começou o stress... O ecran ficou assim talvez uns 2 minutos! até que finalmente apareceu o menu e eu já não fiz mais nada, só queria o cartão de volta!
Chegámos ao hostel e estava uma rapariga nova no quarto, uma polaca (e claro que não havia ninguém na recepção!)
Arranjámos as coisas para o dia seguinte, a Alexandra tomou banho e fomos dormir.

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Dia 29 de Julho de 2010

Lyon-Milano

Dormimos, dormimos e dormimos, mas acordámos a tempo das 6h44, hora de chegada a Lyon...
Como planeado, dirigimo-nos às bilheteiras da estação e comprámos os nossos bilhetes para Milão para dia 30 de Julho de 2010. Sem problemas, tudo OK! Fomos, então, para casa da prima Inês, tomámos um banho e fomos visitar Lyon... Ou então não foi nada disto!

TAN! Chegámos à bilheteira e todos os bilhetes para Milão, no dia seguinte, estavam esgotados. Saímos da fila, sempre com as malas atrás, e fomos pensar em planos alternativos... Pensou-se em Milão mas noutro dia, Paris, Munique... OK, muitas alternativas, alguma havia de dar! Fomos outra vez para a fila (ah, mas para outra, porque o sr da estação que nos tinha dado informações a primeira vez, da segunda recambiou-nos para outro local). Pedimos à sra bilhetes para Munique, mas estava cheio até Domingo; para Paris, nada! FULL, FULL, FULL! "How can we leave Lyon?" "FULL! You can't!"
Meio embasbacados lá saímos da fila novamente (depois de um "Good luck" do género "já arderam!") até que o Diogo se lembrou de irmos nesse mesmo dia para Milão... Pela 3ª vez, lá foi ele para a fila perguntar se havia lugares! Não havia para Milão mas podíamos ir para Geneve, depois para Zurique e depois para Munique. Ok, fomos outra vez para a fila comprar os bilhetes. Conseguimos!! E bilhetes sem suplementos, yeah! No entanto, ainda faltava tanto tempo que decidimos ir procurar um lugar com internet para vermos hostels em Munique e para avisarmos a Inês que não íamos ficar lá em casa. Acabámos no shopping de Lyon, sem net, com casas de banho pagas (e fechadas) e a preparar comida. Mas antes disso, como me pude esquecer? Conhecemos a Isaura, a nossa Isaurinha! Fomos confirmar os nossos bilhetes para Geneve/Zurique/Munique e a Carol, com o seu francês fluente, lá perguntou à Isaura se falava inglês (Não!)... A D. Isaura falava espanhol, italiano e francês... Optámos por comunicar em espanhol, mas acabámos a falar português com a Isaurinha de Guimarães que nos avisou que a linha para Geneve estava em obras e a viagem era feita por autocarro. A sra Isaura, como boa portuguesa, disponibilizou-se para ir connosco até ao autocarro, para nos arranjar lugares (porque não havia lugares marcados). Pronto, voltamos ao shopping! Basicamente foi isso que vimos em Lyon! :P
Acompanhados pela D. Isaura, entrámos no autocarro (ultrapassámos umas quantas pessoas!) e fomos rumo a Geneve. Apesar de ter passado grande parte da viagem a dormir, acordaram-me a tempo de apreciar a bela paisagem das montanhas entre França e Suíça! Zonas verdes, resplandecentes e tranquilas, em plena harmonia com rios e riachos que se entrecruzavam entre os dois países! A alteração de planos valeu a pena só pela paisagem!
Geneve pareceu uma cidade engraçada, com algumas lojas portuguesas, como a bijuteria Portugal, o restaurante Zé do Pipo e a Caixa Geral de Depósitos! Estávamos quase em casa! :)
Na estação de comboios, decidimos tentar a sorte e ver se existia um comboio para Milão. Sim!! E quase a partir! Pagámos os €15 de suplemento e fomos para o comboio ("Gordo, anda mais rápido!"). Instalados no comboio XPTO, que valeu bem o suplemento, iniciámos a trip para Itália, acompanhada por paisagens que não ficavam muito atrás das da viagem Lyon-Geneve! A viagem correu calmamente e sem grandes precalços (um "problema técnico" de minutos, que coincidiu com o Gordo na casa de banho! Aposto que carregou onde não devia! :P)
Em Milão a estação era enorme, com paredes e tectos trabalhados, cheia de gente e movimento. Era uma estação que convidava a uma cidade, pensávamos nós, também ela limpa e toda ela animada. Com os nossos bilhetes de 48h de metro partimos em busca de um hotel/hostel. Dirigimo-nos à primeira escolha, mas o aspecto não previa o que vinha a seguir! A sra não falava muito inglês e quanto perguntámos o preço, visto que não tínhamos reserva, a resposta foi: "one hundred and twenty for night"... O Gordo ainda tentou repetir o preço em italiano, inglês e por mímica, preço este que foi sempre confirmado pela tal sra... Preço este que foi alvo de um "fooooooo...da-se" da Carol, assim mesmo bem sentido! :P
Como saímos nós do tal hostel de €120/noite? De eléctrico! Queríamos ir para v.le Romagne, mas não sabíamos se o eléctrico que estava na paragem dava! Então, quando menos esperavam, começo a falar tão bem italiano que até o motorista ficou especado a olhar para mim! "vie de la romagne!!"... Mas não, não era aquele! Fomos para o outro lado da rua e apanhámos o outro eléctrico, onde umas sras nos ajudaram com mímicas e onde o motorista não sabia as paragens!
Andámos às voltas, mas conseguimos apanhar o autocarro para o próximo hostel da lista. Chegámos a um prédio em obras e entrámos... Encontrámos uma rapariga loira, de olhos azuis, na recepção. Perguntámos se havia vagas, qual o preço (€18/noite/pessoa) e para ver os quartos (SURE!)... Não havia cacifos e perguntámos se tínhamos direito a chaves... Não tínhamos... E podíamos deixar as coisas com segurança no quarto? (SURE! 24/7! I'm here and my husband too!)... Preenchemos a papelada, a sra fez a conta dos quartos (18+18+18!) mas perguntámos se podíamos pagar no dia seguinte (SURE!). Instalámo-nos, então, num quarto com 7 camas (2 delas numa divisão mais privada) mas estávamos sozinhos! BANHOOOO! Entretanto chegou um rapaz Americano/Búlgaro (tinha dupla nacionalidade) e um Argentino que também andava a dar a volta à Europa!
De banho tomado, fomos dar uma volta pela cidade, tendo ido de autocarro até ao centro... Passamos pelo Duomo, pelos indianos com coisas voadoras, pelas galerias, com lojas chiques e caras como a Prada e a Louis Vuiton; fomos ainda pelo Teatro la Scala... É uma cidade bonita, mas um bocado escura, com muita ostentação e pobreza! As pessoas vestem-se bem, são elegantes e andam em vespas ou carros caros, fiat ou brancos! :P
Voltámos ao hostel, mortinhos de sono, ansiosos por uma cama! E a partir do momento em que nos deitámos, tudo pareceu muito melhor!


Agradeco aqui à Inês, apesar de não termos lá ido, e à D. Isaura pela ajuda! :P
1 dia, 3 países!

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Dia 28 de Julho de 2010

Hendaya - Lyon

A primeira impressão de Hendaya foi deveras entusiasmante:
1) A srª da bilheteira, a quem carinhosamente apelidámos de Judite, foi muito afável.
2) Depois de termos comprado os bilhetes, uns senhores, teoricamente polícias, vestidos normalme
nte, apenas com uma pistola e uma braçadeira dos trezentos, pediram-nos o passaporte. Why?
3) Esses mesmos senhores levaram umas estrangeiras sem passaporte para dentro do carro (um normalíssimo!) e partiram para não sei onde! *
4) Não havia cacifos!! Portanto até às 18h com mochila às costas. Escusado será dizer que demorámos imenso tempo até à praia...


* Depois descobrimos que eram mesmo polícias

Agora a parte boa!
A Vila era amorosa e a água estava óptima. O primeiro banho do ano e para a Alex o primeiro banho estrangeiro. Ficámos por lá a manhã toda e a seguir fomos almoçar com vista para a bacia e para Irún.
A tarde foi passada a dormir no parque e por fim lá fomos para a estação. Mais boas notícias: apesar de rezingona os lugares que a Judite nos arranjou eram os 1ºs, com espaço para as pernas - dormimos bué.
Isto de viajar de comboio é sempre uma aventura e conhecemos novas personagens. Desta vez, para além de revermos o Arrotadeiro e a mulher peluda, encontrámos uma senhora, cópia bronzeada da Vilela, que não parou de olhar para nós - desde Hendaya até Lyon! Lá nos rimos um bocado.
O percurso era muito giro, passámos por Bayonne e Lourdes e durante muito tempo andámos mesmo ao pé do rio.
A Carol e a Alexandra não viram nada disto, preferiram reparar nos rapazinhos sentados à frente delas.
Dormimos mesmo. Não sei se foi por os lugares serem bons, se foi por estarmos exaustos, mas dormimos. E ainda bem, porque o dia seguinte foi em cheio.

Dia 27 de Julho de 2010

Lisboa - Hendaya

Apanhámos o comboio em Santa Apolónia às 16h30. Os pais do Diogo e os da Alexandra ficaram lá até irmos embora (e a Maria Luís :P). Ficámos todos na mesma carruagem, mas o meu lugar era mais à frente e eu troquei de lugar. Ninguém ligava muito aos lugares de qualquer maneira... Na nossa carruagem ia mais um grupo que ia fazer interrail e o Gordo conhecia uma delas! Havia uns franceses... A mulher com pêlos no sovaco e que não tirava os óculos de sol nem depois de escurecer e o homem que bebia cerveja o
caminho todo e depois arrotava! E o homem que se sentou ao meu lado e começou a meter conversa "Este comboio dantes não era assim..." "Você diz que são todos baixos... Você é alta, é?" "Vocês vão para Paris?" Se calhar era o velho que nos ia pagar coisas na viagem,... À 1h apagaram as luzes no comboio e dormimos um bocadinho, mas era difícil porque nem havia posição nem o comboio parava de abanar.
A certa altura começaram a acontecer coisas estranhas... Entraram estrangeiros que começaram a acender isqueiros para ver os números dos lugares, a francesa dos óculos escuros levantou-se para ir lá fora e como estava às escuras de óculos tropeçou para cima de nós, um homem não viu que a porta entre as carruagens estava fechada e mandou uma cabeçada na porta... E ainda umas que queriam sentar-se no nosso lugar e nos acordaram e afinal estavam na carruagem errada!
Tentámos dormir o máximo, mas não foi muito. Às 6h acenderam as luzes e às 7h10 chegámos.

P.S.: Também passou um revisor português e um espanhol e o português diz em portunhol "Tens que cerrar a porta..." e um dos rapazes do interrail diz muito surpreendido: "Serrar a porta?!?"